O Grupo Durst, fabricante italiano de sistemas de impressão digital, anunciou a compra da MPS Printing B.V., fabricante holandesa de impressoras flexográficas para rótulos e embalagens flexíveis. O anúncio foi feito em 15 de setembro, durante a LOUPE Americas 2026, em Chicago. Pelo acordo, a Durst adquire a holding que controla a MPS, que passará a fazer parte do grupo em 1º de janeiro de 2027 sob o nome MPS – A Durst Group Company. A operação ainda depende das condições habituais de fechamento e de aprovações regulatórias, e os valores não foram divulgados.
O que muda e o que fica
Segundo o comunicado das duas empresas, a MPS continuará desenvolvendo, fabricando e comercializando seu portfólio atual, e a equipe de gestão será mantida. O atual CEO, Michiel Borst, passará a diretor-geral da nova empresa, reportando-se à estrutura de gestão da Durst. "O que muda não é quem somos, mas o que seremos capazes de alcançar", afirmou Borst no anúncio.
Na Europa, os canais diretos de venda da MPS permanecem. Nos Estados Unidos, a Durst US assumirá vendas e assistência técnica das máquinas MPS. As empresas informam que contratos e compromissos de serviço existentes seguem válidos nos termos originais e que a MPS passará a contar com a infraestrutura internacional de serviço e peças de reposição da Durst. De acordo com a Printweek, a MPS tem mais de 800 máquinas instaladas no mundo, e a Durst fatura cerca de 430 milhões de euros por ano.
Em seu site, a MPS lista as linhas EF next generation, EF Symjet (híbrida, que incorpora tecnologia inkjet da Domino), EF Packaging, EXL-Packaging e EXL-Offset.
Motivos da compra
A Durst atua em rótulos com as impressoras digitais Tau e com as plataformas híbridas KJet e XJet, desenvolvidas em parceria com a italiana Omet. A empresa afirma que essa parceria continua, independentemente da compra. "Nosso objetivo não é duplicar soluções, mas oferecer aos clientes a tecnologia, o nível de automação e o conceito de produção certos para suas necessidades individuais", disse Christoph Gamper, CEO e coproprietário da Durst.
Em entrevista à Labels & Labeling publicada em 30 de setembro, Thomas Macina, diretor de vendas de rótulos e embalagens flexíveis da Durst, disse que não há planos de curto prazo para uma impressora híbrida MPS-Durst. "Por enquanto, o mais importante é dar continuidade ao projeto MPS e atender os clientes com equipamentos de impressão flexográfica", afirmou. Borst acrescentou que nenhuma solução integrada foi definida até agora.
A compra ocorre menos de um ano depois de a então MPS Systems entrar em proteção contra credores na Holanda, em outubro de 2025. Em novembro daquele ano, a empresa foi reestruturada por meio de uma compra liderada pela própria gestão, com apoio de Nick Tyrer e do cofundador Bert van den Brink, e voltou a operar como MPS Printing.
Movimento de consolidação
O negócio se soma a outras mudanças recentes entre fabricantes de equipamentos para rótulos. Em março de 2026, a justiça francesa aprovou a compra dos ativos da Codimag pela também francesa Smag-X. Em 2022, a Canon adquiriu a britânica Edale, fabricante de impressoras flexo. A própria Durst tornou-se, em fevereiro, a maior acionista da espanhola Hasler Solutions, de sistemas de corte, e, no meio do ano, adquiriu participação majoritária na plataforma de software CoCoCo.
O que isso significa para o mercado brasileiro
O comunicado não menciona mudanças na América Latina. No Brasil e na Argentina, a MPS é representada pela Coras do Brasil, segundo a página de contatos da fabricante. A Durst, por sua vez, mantém subsidiária própria em Campinas (SP). Até o momento, nenhuma das empresas informou se o atendimento às máquinas MPS no país passará para a estrutura da Durst.
Para donos de impressoras MPS, o anúncio aponta continuidade de fabricação, peças e assistência, o que tende a reduzir a incerteza criada pela insolvência de 2025. O respaldo de um grupo maior também pode favorecer a liquidez dessas máquinas no mercado de usadas, mas ainda é cedo para medir efeitos sobre preços. Proprietários devem confirmar com o representante local os prazos de peças e as condições de contratos de serviço vigentes a partir de 2027.