O Congresso Nacional promulgou em 16 de outubro de 2026 a Emenda Constitucional 141, que acaba com a escala 6x1 e garante ao trabalhador dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A emenda reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, em duas etapas, e já tem efeito direto no planejamento de produção das gráficas e convertedores de rótulos e embalagens flexográficas.
Como será a transição
Segundo a Agência Senado e o Ministério do Trabalho e Emprego, a mudança é gradual. Dois meses após a publicação da emenda no Diário Oficial da União, que ocorreu no mesmo dia da promulgação, a jornada máxima cai para 42 horas semanais e passam a valer os dois dias de descanso remunerado, o que ocorre em meados de dezembro de 2026. Um ano depois, em dezembro de 2027, o limite chega a 40 horas semanais, com até oito horas diárias. O texto prevê que a compensação de horários e a redução da jornada podem ser feitas por acordo ou convenção coletiva, e que jornadas já fixadas em 40 horas ou menos não sofrem redução proporcional adicional. O Senado aprovou a proposta, a PEC 221/2019, por 75 votos a 1 em 14 de outubro.
O impacto na fábrica
O portal Flexo In Foco publicou em 26 de outubro uma análise técnica sobre o efeito da mudança na flexografia de banda estreita e média. O texto lembra que o impacto também alcança empresas que já trabalham de segunda a sexta, compensando o sábado, porque o limite de horas por empregado muda mesmo na escala 5x2.
Para ilustrar o efeito, a publicação faz uma simulação com uma impressora a 80 metros por minuto e OEE de 65%. Nesse cenário, a produção semanal estimada passa de 137.280 metros lineares com 44 horas para 124.800 metros com 40 horas, uma redução teórica de 9,09%, caso nada mais mude. Para recuperar o volume, o OEE teria de subir para 71,5% na mesma velocidade. A própria análise ressalta que se trata de uma simulação didática, e não de uma previsão de perda para qualquer empresa específica.
A publicação também diferencia a jornada do empregado do tempo de funcionamento da máquina: a impressora não precisa, necessariamente, parar mais cedo, mas a cobertura por equipes, os turnos e o acabamento precisam ser reorganizados. Quanto ao custo, a análise afirma que a hora contratada de quem passa de 44 para 40 horas, com o mesmo salário, fica 10% maior em termos matemáticos, mas que isso não significa aumento de 10% no preço de rótulos e embalagens, já que o custo industrial depende também de matéria-prima, tinta, energia, perdas e ocupação da capacidade.
A Confederação Nacional da Indústria estimou, em nota técnica de 7 de abril de 2026, redução de 0,7% do PIB em um cenário de jornada de 40 horas sem corte salarial. Trata-se de uma projeção com hipóteses próprias, segundo o próprio Flexo In Foco, e não de um efeito já observado no setor.
O que isso significa para o mercado brasileiro
Para o convertedor brasileiro, a mudança coloca a eficiência no centro da conversa. Com menos horas disponíveis por empregado, ganham peso o tempo de setup, a velocidade real de impressão, o refugo e a gestão do PCP. Isso tende a aumentar o interesse por equipamentos com troca rápida de trabalhos, automação de registro e inspeção, e por retrofits que reduzam tempo de preparação. Para fabricantes, distribuidores e compradores de máquinas, a discussão sobre produtividade por hora passa a pesar mais na decisão de investimento, e o calendário é curto: a primeira etapa começa em cerca de seis semanas.